O que é fascinante no discurso de Jesus é que apesar de
discorrer sobre a eternidade com veemência, ele não pressionava
as pessoas a seguirem suas idéias. Esse lado da sua inteligência espiritual encanta qualquer intelectual que o analisar.
Não usava seu poder para que as pessoas gravitassem em torno dele. Quando ajudava as pessoas, era de se esperar que usasse sua influência para transformá-las em seguidoras.
Uma das coisas que mais me impressionaram ao escrever
a coleção Análise da Inteligência de Cristo é que, ao analisar os detalhes das suas reações nas suas quatro biografias ou evangelhos, percebi claramente que ele não cobrava nada das pessoas que ajudava. Ele falava para elas seguirem seus caminhos. E ia mais longe, pedia segredo a elas sobre o que ele havia feito, suplicava que não contassem para ninguém. É quase incompreensível sua maturidade e gentileza.
Sua ética era uma poesia que exalava como perfume. Diferente da maioria de nós, o que ele fazia com uma mão não alardeava com a outra. Qualquer político ou líder da atualidade ama proclamar seus feitos, gosta de estar estampado na mídia. Alguns pagam para sair nas colunas sociais. O Mestre dos mestres pedia o silêncio.Tornou-se um fenômeno social sem precedente, pois era impossível ocultar alguém com sua inteligência, atitudes e oratória. Mas preferia ser discreto. Certa vez contou uma parábola nos encorajando a amar a discrição e a humildade, que são importantes características da inteligência espiritual.
Disse que quando alguém fosse convidado para uma festa, ele deveria sempre procurar os últimos lugares, os de menos visibilidade social, e não os primeiros. Pois, ao se sentar nos primeiros lugares, poderia passar por um vexame público, se o anfitrião lhe pedisse para sair daquela posição dizendo que ela estaria designada a pessoas mais importantes. Mas, se ele se sentar nos últimos lugares e o anfitrião lhe pedir para tomar a posição dos primeiros, isso lhe seria uma honra.
Jesus nunca procurou os primeiros lugares. Ele nunca quis aparecer por aparecer. Jamais viveu em função do prestígio social. Por isso, alguns dias antes de morrer, ele estava na casa de um leproso, Simão, sentado ao redor da sua mesa e não fazendo reuniões de cúpula. Seu maior desejo era servir e não ser servido. Era dar e não receber. A única vez que aceitou estar acima dos outros foi quando esteve pendurado numa cruz.
'A ciência, através do seu orgulho débil, desprezou a sabedoria do Mestre dos mestres. Desprezou também a sede pela inteligência espiritual que está na essência do ser humano. Felizmente, agora os ventos intelectuais estão mudando.
O ser humano tem plena liberdade de ser um ateu, seguir a sua consciência. Mas não há dúvida de que o desenvolvimento da inteligência espiritual através da oração, meditação e buscas de respostas existenciais, além de resolver conflitos internos, aquieta o pensamento, apazigua as águas da emoção e traz saúde para a psique.
Do livro 12 Semanas Para Mudar Uma Vida
Augusto Cury
